Ontem eu estava conversando com um amigo que reclamava da empresa em que ele trabalha há 6 anos. Disse ele para mim:

– Você acredita que contrataram uma pessoa lá na empresa para ser coordenador da área em que eu estou há 6 anos como analista administrativo e nem fui lembrado? Achei um absurdo! Falta de respeito. Sempre que precisaram de mim, eu estava lá. Sou responsável e sou de confiança. O cara que foi contratado fica me perguntando como as coisas funcionam, a vontade que eu tenho é de não responder.

E falou muito mais, blá, blá, blá… Desabafou durante um bom tempo toda sua mágoa e insatisfação, até que eu. já não aguentando tanta lamentação, resolvi chamá-lo para algumas reflexões:

– Quais investimentos você fez na sua carreira nos últimos 2 anos que partiram de você? Sua resposta foi que não fez nenhuma porque não teve tempo pois ficava até tarde trabalhando e quando chegava em casa já estava sem ânimo.

– Quais requisitos você acredita que são importantes para ocupar o cargo de coordenador da sua área?

Sua resposta foi conhecer bem as atividades da área.

– E a parte comportamental, o que você acredita ser necessário?

Sua resposta foi ser comprometido com a empresa, entregar resultados e ser disciplinado.

– Você acredita que saber influenciar pessoas, trabalhar bem em equipe, ser empático, ter boa negociação, delegação, marketing profissional, dar e receber feedback, saber motivar pessoas, planejamento estratégico, gestão de pessoas e ter visão sistêmica são importantes para ser um coordenador de área?

Ele me olhou meio sem graça e falou que nunca tinha pensado nisso.

– Destas características que eu citei, quais você acredita ter bem desenvolvidas?

Ele não soube me responder, então procurei mostrar para ele o que penso sobre este assunto e falei informalmente algo semelhante a isso:

– Muitas vezes consideramos injustas, e algumas vezes até são, algumas decisões que as empresas tomam. Isto porque temos uma visão muito míope do que a empresa espera de nós, do que nossa profissão vai exigir de nós e, mais ainda, não olhamos para nós mesmos para entendermos os porquês de não estarmos colhendo aquilo que julgamos merecedores. Preferimos apontar o dedo para os outros, culpando-os. Criticamos o gestor que em algumas vezes não está mesmo preparado para fazer gestão de pessoas, culpamos a fulana que deve estar saindo com o chefe para ser promovida (atire a primeira pedra quem nunca ouviu um comentário desse), mas não investimos essa energia para entender o que NÓS podemos melhorar, o que precisamos desenvolver, o que temos de aprender e mudar. Não sabemos muitas vezes quem somos, como somos e para onde estamos indo profissionalmente. Deixamos o barquinho da nossa profissão seguir solto pelos mares da vida profissional e assim, o barquinho para muitas vezes em portos que não nos satisfazem.

Falei por fim:

– Carreira é cada vez mais responsabilidade nossa, temos que saber onde queremos chegar e como e quando queremos chegar. Só assim vamos conseguir selecionar nossos investimentos em cursos, o nosso tempo, nossas leituras e todo e qualquer aprendizado. Até mesmo saber quando a empresa está correspondendo as nossas expectativas com base em nosso planejamento de carreira ou se é hora de buscar outros mares, outras praias e porque não, construir outros barcos, nossos barcos. Quem não sabe para onde ir qualquer caminho serve, então não reclame depois das pessoas que vem do mercado, das promoções que você não recebeu, da política de gestão de pessoas da sua empresa. A carreira é sua e é você quem tem de planejá-la.

A conversa terminou com meu amigo agendando um horário para fazer um processo de coaching comigo. Acho que a conversa foi produtiva para ele e para mim. Vai mais longe e em menos tempo, quem sabe onde quer chegar.